Eu estava olhando aquele banco em que sentamos aquele dia. Você com os olhos cabisbaixos, ouvindo todo o meu lamento, choro e indagações. Eu só repetia, por quê? Porque agora? Por que assim? E você apenas fitava os seus pés, aquele seu tênis surrado que eu odiava. E eu chorava. E você não me olhava.
Eu tinha nas mãos todos os argumentos possíveis, tudo o que a gente tinha vivido e eu só queria que você ouvisse. E você dizia: Porque não, Amanda. Porque não, Amanda. E eu não entendia, sabe? Só que hoje enquanto eu olhava aquele banco de pedra, sujo de cal, eu me lembrei de tantas palavras tuas. Tão duras. E dessa vez eu não quis chorar, sabe? Porque você realmente não me merecia como havia dito, mas porque você não quis me merecer. E eu não me arrependo da outra conversa que tivemos em que falei que você devia morar numa caverna, viver como um hermitão e que pessoas como você, que não sabiam se relacionar devia viver na selva com os animais.
E não, não há nenhum amor escondido ou enrustido, nisso tudo. É só que me deu muita raiva de você hoje, porque eu li uma frase assim: Por que ela é tão perfeita? Palavras tuas também. E então, eu queria falar tudo isso pra você. Que eu odeio quando você fica me olhando, quando você fica me observando conversar com minhas amigas, quando você me elogia, quando você vem falar comigo. Porque me dá vontade de te dar um murro e quebrar o seu nariz, por todas as lágrimas que você me fez derramar, por ficar perguntando para minha melhor amiga se eu estava bem, se eu já estava comendo, por querer saber as coisas eu faço, estar nos mesmos lugares. Não fique achando que você é meu amigo, você nunca vai ser. Basta.
E cara, da próxima vez que me vir, por favor. Finja que não me conhece.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
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